CATACUMBA DO NÃO SABER
Na catacumba do não saber,
Outra serpente a te espiar;
Sob a terra de um tempo negro,
Que nunca canso de relembrar.
Vejo a serpente deste futuro,
Sem ter lembrança deste passado;
Vejo no escuro tristes crianças,
Com fome e medo desesperado.
Serão os anjos da salvação,
Deste Brasil gasto e jogado?
Tenho receio, sede e lembrança,
Eu sou criança, pobre e drogada.
Porem talvez mude o poder,
Mais uma vez na triste gloria;
E as catacumbas do não saber,
Serão o palco de outra historia.
*J.L.BORGES
1994
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