segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

CASTOR E PÓLUX

CASTOR E PÓLUX

Luz do pó a iluminar os meus caminhos

Luz do pó a iluminar a minha existência;

Átomo eterno, peregrino do infinito,

Onde estás que não o vejo?

Onde estás que não o sinto

Se estás perto de mim daí-me um sinal,

Se estás longe de mim daí-me uma luz;

Estou sedento, estou faminto, ando cansado,

Quero teu pão, quero tua água,

De minha boca tuas palavras para orar.

Luz do pó que ilumina minha consciência,

Daí-me a certeza da tua existência,

Não em palavras, nem em escritas;

Mas sim na fé que acalma a dor,

E trás a certeza que o sofrimento é só passagem.

Ando faminto de fartos frutos,

Estou sedento de esperança;

Estou cansado de esperar;

Se quero a paz eu vou a luta,

As tua procura senhor eterno.

Não quero provas e sim ter fé,

Não sou montanha, eu sou riacho,

Eu sou apenas tua criatura,

Que anda perdida, quer se encontrar,

Não quer ser sombra, e sim tua luz.

*J.L.BORGES
1993



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