CAMPO SANTO
Pontas de lanças cercando um campo,
A onde o sonho daqui não sai;
Pétalas de rosas, perolas de prantos,
No eterno mundo do nunca mais.
Seus muros caiados de branco padecem,
Com a poeira que o tempo lhe joga na cara;
Valetas abertas a onde adormecem,
No nada absoluto a jóia antes rara.
Tem cruzes e santos, demônios também,
Guardando este campo, futura morada;
A onde a tristeza da perda de alguém,
Nos traz a certeza de que não somos nada.
Mas a vida prossegue alem destes muros,
A onde se espera o juízo final;
As almas descansam sem medo do escuro
E os vivos o que fazem na espera animal?
*J.L.BORGES...1994
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