domingo, 21 de janeiro de 2018

CAMPO SANTO

CAMPO SANTO

Pontas de lanças cercando um campo,

A onde o sonho daqui não sai;

Pétalas de rosas, perolas de prantos,

No eterno mundo do nunca mais.

Seus muros caiados de branco padecem,

Com a poeira que o tempo lhe joga na cara;

Valetas abertas a onde adormecem,

No nada absoluto a jóia antes rara.

Tem cruzes e santos, demônios também,

Guardando este campo, futura morada;

A onde a tristeza da perda de alguém,

Nos traz a certeza de que não somos nada.

Mas a vida prossegue alem destes muros,

A onde se espera o juízo final;

As almas descansam sem medo do escuro

E os vivos o que fazem na espera animal?

 *J.L.BORGES...1994

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