CAMA DE PREGO
Esta minha doença,
É uma grande loucura;
Descobri na tua ausência,
Que não tenho mais cura.
Tu não és meu remédio,
És apenas veneno;
Tu afastas meu tédio,
És meu vicio sereno.
Sem teus beijos me afogo,
Pois sou teu escravo;
Na virtude do jogo,
És minha espinha, meu cravo.
Sou carente, sou doido,
Sou um débil mental;
Trago o peito doído,
Pois tu és o meu mal.
És alucinógeno que me logra,
Me rasga na cama, estás sempre a ferir;
Nesta cama de prego, tu és minha droga,
Eu sou teu faquir.
*J.L.BORGES...1990
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