AMPULHETA
Sinto na cor da manhã,
A vida expandindo no ar;
Ruídos sonoros escorrendo lá fora,
Vontade frenética de recomeçar.
Na realidade de não ser menino,
Me sinto pequeno e quero crescer;
Me entrego sem medo nas mãos do destino,
Galgamos montanhas do reaprender
Manhã misteriosa batendo a minha porta,
Corrente de luz brilhando lá fora;
Não importa o medo, a paz me conforta,
Uma voz, bem baixinho me diz “-Já é hora.”
E assim recomeço de novo meus dias,
Sem fadigas e dores, na paz silenciosa;
Sou igual ampulheta vigiando meus dias,
Vigiando esta vida que me é tão preciosa.
*J.L.BORGES
1994
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