domingo, 21 de janeiro de 2018

AMPULHETA

AMPULHETA

Sinto na cor da manhã,

A vida expandindo no ar;

Ruídos sonoros escorrendo lá fora,

Vontade frenética de recomeçar.

Na realidade de não ser menino,

Me sinto pequeno e quero crescer;

Me entrego sem medo nas mãos do destino,

Galgamos montanhas do reaprender

Manhã misteriosa batendo a minha porta,

Corrente de luz brilhando lá fora;

Não importa o medo, a paz me conforta,

Uma voz, bem baixinho me diz “-Já é hora.”

E assim recomeço de novo meus dias,

Sem fadigas e dores, na paz silenciosa;

Sou igual ampulheta vigiando meus dias,

Vigiando esta vida que me é tão preciosa.

*J.L.BORGES
1994

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