IDENTIDADE
As comedias da vida são tão irreais,
Que nunca me canso, eu ando por ai;
As transas da vida são sempre iguais,
Caminhos sem volta que não percebi.
Tudo que falas carências totais,
Teu riso me cala e eu distraído;
Me lanço a viagens a um outro astral,
Onde os monstros concretos estão esquecidos.
Que nunca me canso, eu nunca esqueço,
Daquele paraíso, doce pesadelo;
Se sonho acordado eu quase enlouqueço,
Me afogo em teus lábios, teus negros cabelos.
Pois viva a vida que tu não me trás,
Sorriso brilhante desta mocidade;
Na fuga procuro um naco de paz,
Escondida na sombra de outra identidade.
*J.L.BORGES
Cachoeirinha 1987
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