sexta-feira, 3 de novembro de 2017

ADEUS LIBERDADE

ADEUS LIBERDADE

Adeus liberdade estou com a alma presa,
Estou perdido ao vento, vento do adeus;
Não tenho mais flores, nem também sorrisos,
Mas tenho um amigo que lá fora chora.

Estou sufocado por paredes frias,
É triste minha vida, minha espera é frágil;
Tudo em mim arde, estou morto por dentro,
Mas por fora contemplo a futura esperança.

Adeus liberdade, selo o meu futuro,
Minha vida é escura, onde foi a luz?
Mas um dia saio, cheio de promessas,
Minha alma em festa, alegre irá cantar.

Por enquanto é triste minha vida e anseios,
O meu próprio juiz foi meu louco ato;
Minha doce infância passou, eu era criança,
Alegre pelos campos livre a brincar.

Admirava os pássaros que voavam soltos,
Não pensava em trancas, em grades e janelas;
Via o horizonte lá, descansando ao longe,
Tudo era luz, o sol era meu rei.

Mas agora é triste minha primavera,
Meu inverno é inferno, e o verão é dor;
Tudo está cinzento, até o outono chora,
E os meus vinte anos passarão aqui.

Não tenho um amor pra sonhar lá fora,
Nada agora tenho, parece que não existo;
Mas sei que tem alguém que tem lagrimas de saudade,
E muitas lembranças chorando por mim.

Eu sei que um dia saio, com o peito leve,
Cabeça erguida e no alto;ver o sol nascer;
Por enquanto choro por dentro e por fora,
Dando outro adeus a minha liberdade.

*J.L.BORGES
Camaquã.1984
(Liberta quae sera tamem...)


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