ABISMO
A vida de mim correu,
Pois eu fugi desta vida;
O mundo não percebeu,
Que foge rumo ao abismo.
Sinto na carne esta dura realidade,
Que aos poucos acaba com meus sonhos;
Tenho no peito confusões de ideologias,
Falsificadas com inverdades e com cinismos.
Onde escondeu-se a palavra sinceridade,
Esta palavra a muito o mundo esqueceu;
Jaz sepultada nos destroços da saudade,
Coroadas de utopias e de lirismos.
Queria poder fugir daqui também,
Mas não posso, tenho raízes que me seguram;
Que me pressionam, me catalisam e fundem-me,
No silencio abismal do negro abismo.
*J.L.BORGES
Camaquã.1984
(Abissus abissus invocati...))
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