segunda-feira, 2 de outubro de 2017

TEMPESTADE

TEMPESTADE

A chuva molha sem pressa,
As cores deste jardim;
A onde a vida começa,
Alguma historia sem fim.

E o vento beija a vidraça;
Daquela casa amarela;
Estática em frente a praça,
A onde sonho com ela.

São raios riscando o céu?
Murmúrios de algum tambor;
Ou apenas doce escarcéu,
De um jovem deus trovador?

E assim segue a tempestade,
Caindo na noite escura;
Saudade leve que invade,
Me faz ficar a procura.

Procuro os beijos molhados,
Com gosto de neve e vento;
A onde o gozo estrelado,
Me faz ser deus num momento.

*J.L.BORGES
GUAÍBA, 1998

Nenhum comentário:

Postar um comentário