TEMPESTADE
A chuva molha sem pressa,
As cores deste jardim;
A onde a vida começa,
Alguma historia sem fim.
E o vento beija a vidraça;
Daquela casa amarela;
Estática em frente a praça,
A onde sonho com ela.
São raios riscando o céu?
Murmúrios de algum tambor;
Ou apenas doce escarcéu,
De um jovem deus trovador?
E assim segue a tempestade,
Caindo na noite escura;
Saudade leve que invade,
Me faz ficar a procura.
Procuro os beijos molhados,
Com gosto de neve e vento;
A onde o gozo estrelado,
Me faz ser deus num momento.
*J.L.BORGES
GUAÍBA, 1998
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