quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A JANELA

A JANELA

Avalanches de solidão e saudade,
Soterraram minha alma;
Parece até que eu perdi minha calma,
Por ter ansiedade.

Bethovem com sua sinfonia,
Oferta a meu peito uma orquestra sinfônica;
Meu coração é uma bomba atômica,
Pronta pra explodir um dia.

Uma ânsia que eu perdi por você,
Doce espera da minha rua;
Cinco estrelas e uma lua,
Que eu perdi, mas por quê?

Desde que você partiu,
O meu orgulho com você foi embora;
Sumiu também meu sonho de amor que outrora,
Nasceu, cresceu e floriu.

Esperança que escapou no calor,
Lindo sonho que eu te inventei;
Horas de alegrias que eu sonhei,
Se tivesse seu amor.

Mas agora ele murchou, morreu,
E eu estou tão triste;
Que farei? A magoa em mim existe,
A magoa do amor que feneceu.

A flor do amor estancou ao florescer,
Levando harmonia, mas deixando a saudade;
Onde está minha felicidade?
Eu a perdi e por isso estou a sofrer.

Só tenho agora ódio em forma de carinho,
Onde foi que errei?
Não sei meu Deus, não sei,
Só sei que estou sozinho.

Passo os meus dias a roer as unhas desta vida,
Vida que um dia foi meu tesouro;
Parece até que eu sou um cachorro,
A latir para a lua que está esquecida.

Peço beijos, nada ganho,
Lembro então minha alegria;
Que transformou-se em noite o meu dia,
Quando foi embora levando meus sonhos.

Recordo assim o seu olhar,
E ai aparece a solidão;
Que inunda meu coração,
E faz meu corpo chorar.

Imagino agora a minha infelicidade no fim,
Imagino até uma sólida estrada;
Mas derepente ouço sua voz que está gravada,
Somente em mim.

 *J.L.BORGES
Porto Alegre.1982






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