PAI ETERNO
Eram pesados os meus caminhos,
E reinava a solidão;
Com duras pedras, tantos espinhos,
E muita dor no coraçáo.
Estes caminhos, tão solitários,
Onde os dias eram escuros;
Num viver frágil, futil e precário,
Vida ilusório, num eu sem futuro.
Dormia só no triste ninho,
Sentindo medo e muitos ais;
Mas hoje eu sei, não estou sozinho,
Tenho o amor do eterno pai.
Ao encontrar o pai eterno,
Da minha alma afastei esta tristeza;
Meu viver agora é mais fraterno,
A boa paz é minha riqueza.
Doce pai, meu bom futuro,
Com seu dom em transformar;
As noites frias, noites escuras,
Num belo dia a iluminar.
Agora sorrir, de novo consigo,
Na explendida paz de meu senhor;
Sem temer a espada do inimigo,
A sua inveja, o seu rancor.
Com o pai eterno junto de mim,
Caminho firme na boa estrada;
Farta é a lavoura, lindo é o jardim,
Em meu viver, minha jornada.
Sinto o gosto da nova vida,
Esta abundancia de leite e mel;
Paz alcançada, doce e querida,
Esta minha alma, este meu céu.
*J.L.BORGES
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