VIDA E MORTE DO GRAVATAÍ
Era um rio manso e ameno,
Com areis brancas adormecidas;
Com índios nus e as canoas,
Flutuando em lenta preguiça.
Era um rio menino arteiro,
Por entre arbustos e matas;
Orquestras de um tempo virgem,
Com rouxinóis e macacos.
Era um rio meio maluco,
Arisco na tempestade;
A onde as águas da chuva,
Caiam como benção mística.
Era um rio de águas claras,
Nas manhãs de primavera;
Onde o índio sem receio,
Sorvia nas mãos sem calos.
Ele agora não é mais manso,
Suas areis são cor chumbo;
Com uma multidão de infelizes,
Em barcas ferindo o rio.
Não é mais menino arteiro,
E sim um velho careca;
Sem matas e sem rouxinol,
Sua orquestra é o rugir das maquinas.
Não é mais um rio maluco,
É um rio débil mental
Com medo de tempestades,
Chuva acido letal.
É um rio de águas fedidas,
Nas tardes de primavera;
Onde o indigente sem futuro,
Defeca sua esperança.
*J.L.BORGES
-Em homenagem póstumas a todos os rios da terra
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