quinta-feira, 19 de abril de 2018

TEMPESTADE

“TEMPESTADE”

Ouço mil trovões lá fora,

Parecem deuses tristonhos;

Num tempo que está distante,

Alem do mundo de sonhos.

...E a vida muda depressa,

Naquele jeito medonho;

Serpentes riscando os céus,

Fazendo desenhos estranhos.

O vento geme esquisito,

Batendo a minha porta;

Serão almas do infinito?

Não sei, isso pouco importa.

A chuva a cair lá fora,

Molha calçadas... Vidraças;

Chorando, teimosa cai,

Na noite negra que passa.

Os raios brilham nos céus,

Trovões a todo o momento;

Ruídos densos perturbam,

E ferem meus pensamentos.

Tão linda é a voz do vento,

Em meio a tempestade;

Canções macias do tempo,

Na noite que me invade.

Gosto de ouvir os trovões,

Me lembram Thor e Odin;

Cavalgando com as Walquirias,

Na minha infância sem fim.

*J.L.BORGES

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