“TEMPESTADE”
Ouço mil trovões lá fora,
Parecem deuses tristonhos;
Num tempo que está distante,
Alem do mundo de sonhos.
...E a vida muda depressa,
Naquele jeito medonho;
Serpentes riscando os céus,
Fazendo desenhos estranhos.
O vento geme esquisito,
Batendo a minha porta;
Serão almas do infinito?
Não sei, isso pouco importa.
A chuva a cair lá fora,
Molha calçadas... Vidraças;
Chorando, teimosa cai,
Na noite negra que passa.
Os raios brilham nos céus,
Trovões a todo o momento;
Ruídos densos perturbam,
E ferem meus pensamentos.
Tão linda é a voz do vento,
Em meio a tempestade;
Canções macias do tempo,
Na noite que me invade.
Gosto de ouvir os trovões,
Me lembram Thor e Odin;
Cavalgando com as Walquirias,
Na minha infância sem fim.
*J.L.BORGES
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