quinta-feira, 19 de abril de 2018

SILENCIO E A ESCURIDÃO

“SILENCIO E A ESCURIDÃO”

No mais profuso silencio,

Um sussurro parece um imenso grito;

O brado do leão milenar,

As trombetas no infinito.

Na mais difusa escuridão das noites,

Uma tênue centelha torna-se uma lanterna;

A iluminar  os caminhos e afastar o breu,

Obscuro que persiste nas cavernas.

Na efervescência cotidiana das cidades,

Um brado forte é um sussurro apenas;

Perante o buzinar do imponderável,

Do incontrolável a sufocar a paz serena.

Na claridade de um fatigante dia febril,

Onde mil sois ofuscam nossa visão;

O mais potente dos holofotes do conhecimento,

É simplesmente uma mera ilusão.

Nesta duvida atroz do efêmero conhecimento,

O que é preferível ser nesta tênue vida;

O menos feio no pais do grotesco,

Ou o menos bonito no pais das beldades distraídas?

Será assim e assim será esta razão,

Um dia o tudo, outro dia o nada ter;

Passam tão rápido o silencio e a escuridão,

Tenhamos pressa pois há muito a aprender.

*J.L.BORGES

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