SEMENTES DO ETERNO
A onde quer que eu more,
Lá eu planto árvores;
Pode ser um Cinamomo ou uma Figueira,
Mas planto árvores lá.
Não sei se as usufruirei,
Mas alguém as usufruirá,
E tantos passarinhos,
Farão seus ninhos lá.
Se cercas eu colocar,
Em alguma das moradas;
Será de cercas-vivas,
Distante do concreto.
Tenras gramas em meu pátio,
Serão meus verdes pisos;
E sem medo do deserto,
As cuido com prazer.
Arbustos e trepadeiras,
Beijarão minhas paredes;
Joaninhas e Besouros,
Serão deleites meus.
Pois a onde quer que eu more,
A onde quer que eu vá;
Eu Levi em minha bagagem,
Sementes (...) e a fé que tenho em Deus.
E quando enfim partir,
Eu quero estar em um campo,
De verdes ventanias,
E lá poder morar.
Pois sei que em minha alma,
O vento irá soprar;
No azul desta minha calma,
O frescor deste meu canto.
*J.L.BORGES
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