OLHAR DE INVERNO
Meus olhos refletem esta noite que passa,
Pesada e sem graça, sem luz e sem cor;
Olhar melancólico que finge pirraça,
Nesta vida vazia, sedenta de amor.
Meus olhos de inverno estão tão cansados,
Perdidos e molhados nesta tempestade;
Que fere meu peito, um peito magoado,
Pela vil solidão que hoje me invade.
Assim vou vivendo perdido em olhares,
Opacos que miram o nada da vida;
São olhos esquecidos tão perto dos bares,
Vulgares que aumentam minhas lagrimas ardidas.
Se meus olhos são tristes eu sei o porquê,
Eu não sei mais viver com esta saudade;
Eu quero morrer, sim, prefiro morrer,
Pois viver sem você é a dor que mais arde.
Esta dor de adorar-te é sempre meu inferno,
Por não ter-te querida, só em sonhos te tenho;
Meu olhar é sombrio, é olhar de inverno,
Sou um homem tão triste, por viver te querendo.
*J.L.BORGES
Nenhum comentário:
Postar um comentário