quinta-feira, 5 de abril de 2018

OLHAR DE INVERNO


OLHAR DE INVERNO

Meus olhos refletem esta noite que passa,

Pesada e sem graça, sem luz e sem cor;

Olhar melancólico que finge pirraça,

Nesta vida vazia, sedenta de amor.

Meus olhos de inverno estão tão cansados,

Perdidos e molhados nesta tempestade;

Que fere meu peito, um peito magoado,

Pela vil solidão que hoje me invade.

Assim vou vivendo perdido em olhares,

Opacos que miram o nada da vida;

São olhos esquecidos tão perto dos bares,

Vulgares que aumentam minhas lagrimas ardidas.

Se meus olhos são tristes eu sei o porquê,

Eu não sei mais viver com esta saudade;

Eu quero morrer, sim, prefiro morrer,

Pois viver sem você é a dor que mais arde.

Esta dor de adorar-te é sempre meu inferno,

Por não ter-te querida, só em sonhos te tenho;

Meu olhar é sombrio, é olhar de inverno,

Sou um homem tão triste, por viver te querendo.

 *J.L.BORGES

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