domingo, 8 de abril de 2018

O NAVEGADOR

O NAVEGADOR

Estou flutuando, atônito de desejo,

Levitando em teus beijos, doce menina;

Onde a minha sina é te amar de fato

E onde o meu destino em ti me desatina.

Ando navegando em teu corpo sereno,

Talvez paixão profana, amor alucinado;

Sou demônio enfeitiçado, encantado em ti,

E neste frenesi es deusa iluminada.

Quero ser teu peixe, pois és minha sereia,

Aqui em meu aquário, suave a navegar;

Teu corpo é praia ardente, um mar de ventania,

Aquela calmaria que faz eu te adorar.

Assim eu flutuando te descubro um pouco,

Descubro este corpo que faz-me ser teu homem;

Aquele teu amor fervente e atrevido,

Espécie de castigo, desejo que consome.

É assim que nós vivemos esta paixão ardente,

Na certeza envolvente de se saber amar;

Eu sou teu namorado e tu minha namorada,

Talvez teu marinheiro, e tu és o meu mar.

                                                              *J.L.BORGES        

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