O NAVEGADOR
Estou flutuando, atônito de desejo,
Levitando em teus beijos, doce menina;
Onde a minha sina é te amar de fato
E onde o meu destino em ti me desatina.
Ando navegando em teu corpo sereno,
Talvez paixão profana, amor alucinado;
Sou demônio enfeitiçado, encantado em ti,
E neste frenesi es deusa iluminada.
Quero ser teu peixe, pois és minha sereia,
Aqui em meu aquário, suave a navegar;
Teu corpo é praia ardente, um mar de ventania,
Aquela calmaria que faz eu te adorar.
Assim eu flutuando te descubro um pouco,
Descubro este corpo que faz-me ser teu homem;
Aquele teu amor fervente e atrevido,
Espécie de castigo, desejo que consome.
É assim que nós vivemos esta paixão ardente,
Na certeza envolvente de se saber amar;
Eu sou teu namorado e tu minha namorada,
Talvez teu marinheiro, e tu és o meu mar.
*J.L.BORGES
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