NO SERPENTEAR DA VIDA
A vida segue,
Teimosa em seu curso;
O dia amanhece novamente,
Carregando em seus ombros,
Um longo e enfadonho,
Cotidiano em seu percurso;
Margeado por edificações luxuosas,
E estranhos escombros.
“Não vale a pena lamentar”
Fala alguém em seu discurso,
Fugaz que nada alimenta;
Apenas nos toma.
A desigualdade cavalga,
Em largo dorso,
Enquanto a iniqüidade,
O que te deu retoma.
Assim é este circo flamejante,
No serpentear de nossas vidas,
Onde o palhaço graceja,
E o povo aplaude a sua obra;
Deixando as contas do insucesso,
E da incerteza esquecida,
Por um tênue momento,
Neste voraz presente, a nossa cobra.
*J.L.BORGES
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