quarta-feira, 4 de abril de 2018

LIDA DE TROPEIRO

LIDA DE TROPEIRO

Sem muito rodeio me aprochego do fogo de chão,

E na prosa descompromissada com os velhos cueras;

Acendo meu palheiro, tomo um bom chimarrão,

Depôs descanso um poquito na mosqueada tapera.

A noite apontam e um gordo carreteiro vem de bom grado,

Boa sustância neste fim de tarde;

Pego a guapa prum talagaço de trago,

E lembro da chinoca, paixão que aqui arde.

Esta lida de tropeiro me deixa desgarrado,

Daquele meu rancho onde vive a prendinha;

Eu cá, estando longe, solito e apaixonado,

Não sai do pensamento a bela prenda minha.

Mas amanhã bem cedito volto para meu torrão,

Lá vou prosear com os amigoa e na venda tomar trago;

Depôs namorar a chinoquita, dona do meu coração,

E depôs sem muita pressa, cevar meu mate amargo.

*JORGE L. BORGES

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