HOMEM SOLITÁRIO
O solitário veste a sua pele,
Vestes puídas, remendos de saudade;
Anda despido das fáceis ilusões,
Perambula farto desta sociedade.
Cambaleante o solitário divaga,
Em vagas escuras onde a solidão;
É o abrigo no rigor do inverno,
Ou a sua sede em noites de verão.
O solitário bebe um licor amargo,
Que lhe atormenta e lhe apimenta a alma;
Amigos tem, poucos lhe provem,
Ou lhes abrem as portas da paz que acalma.
A vida vai e o desbotado homem,
Ri de si mesmo, um riso sem graça;
E lá no fundo de seu labirinto,
Fica esquecido enquanto a vida passa.
* J.L.BORGES
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