quinta-feira, 5 de abril de 2018

HOMEM SOLITÁRIO

HOMEM SOLITÁRIO

O solitário veste a sua pele,

Vestes puídas, remendos de saudade;

Anda despido das fáceis ilusões,

Perambula farto desta sociedade.

Cambaleante o solitário divaga,

Em vagas escuras onde a solidão;

É o abrigo no rigor do inverno,

Ou a sua sede em noites de verão.

O solitário bebe um licor amargo,

Que lhe atormenta e lhe apimenta a alma;

Amigos tem, poucos lhe provem,

Ou lhes abrem as portas da paz que acalma.

A vida vai e o desbotado homem,

Ri de si mesmo, um riso sem graça;

E lá no fundo de seu labirinto,

Fica esquecido enquanto a vida passa.

*    J.L.BORGES

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