quarta-feira, 4 de abril de 2018

DEMÔNIOS MIRINS

DEMÔNIOS MIRINS

Mais de mil demônios mirins,

Zombam em meu ouvido de sono

Fazendo a noite ficar,

Maior que meu abandono.

Pego palha, faço fumo,

Mas os demônios não fogem

Fico mosqueado e cansado,

Aspirando esta fuligem.

Fico tonto e me tapeio,

Fico torto e me entorto;

Sentindo o ferrão mirim,

Destes demônios em meu dorso.

A noite engole minhas horas,

Mas não devora os medonhos;

Fico preso nesta cama,

Eu, a noite e os demônios.

 *J.L.BORGES

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