sábado, 7 de abril de 2018

DE PORRE NA TUA

DE PORRE NA TUA

O espírito do mal,

Retem meu olhar;

Presença letal,

Sem teto, num bar.

Me agito na mesa,

E o vinho me envolve;

Retenho a tristeza,

Sem tu que é meu porre.

São tontas as procuras,

Que o tempo me escapa;

Nas minhas loucuras

Não temo a ressaca.

O vento mudou,

São nuvens que vem;

O dia acabou,

Estou sem meu bem.

A noite que passa,

Suspiros da lua;

E eu na vidraça,

Estou sempre na tua.

Que vida drogada!

Que droga de vida!

Sou pó nesta estrada,

Sem tu minha querida

Se o dia amanhece

Acordo sozinho;

Sem fumo e sem vestes,

Sou erva daninha.

E o espírito de porre,

De longe me espia;

A dor me socorre,

Vomito na pia.

  J.L.BORGES

Nenhum comentário:

Postar um comentário