quarta-feira, 4 de abril de 2018

CHUVA DE SETEMBRO

CHUVA DE SETEMBRO

A chuva chora, e molha a terra,

Sem piedade, chuva traiçoeira;

O sol escorre, atrás da serra,

A tarde morre, foge ligeira.

Teimosa chuva, sempre a cair,

Alaga a alma, alma indecisa;

E ela, a chuva, teima em ferir,

É chuva insana, sem sol, sem brisa.

E vem com ela o doido vento,

Nuvens mosqueadas a desenhar;

Monstros, castelos, neste momento,

Onde o silencio é o trovejar.

Não passa a chuva, sempre a gemer,

Não dá sossego a este dia;

Sem quase nada para fazer,

Vou cavalgar na ventania.

*J.L.BORGES

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