terça-feira, 17 de abril de 2018

CHUCRO DE CAMAQUÃ

“CHUCRO DE CAMAQUÔ

Sou homem bruto dos pampas,

Desconfiado e de má fama;

O meu sangue se alevanta,

Quando alguém de mim reclama.

Sou um macho prozeador,

Mas nunca conto lorota;

Nunca tive o mal do amor,

Sou solito nestas grotas.

Já barranquiei muitas éguas,

De quatro e de duas pernas;

Pra ter mulher ando léguas,

Isto e bom e me conserva.

Chinoca de vida fácil,

Já comeram em minhas mãos;

Dizem que sou um volátil,

Pra mim isso  é palavrão.

Sou chucro de Camaquã,

Disso nunca me arrependo;

Falam que sou picumã,

Coisa que nunca compreendo.

Não compreendo porque sou,

Simplesmente este gaucho;

Homem que se acoreou,

Com as tradições sem luxo.

*J.L.BORGES

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