“CHUCRO DE CAMAQUÔ
Sou homem bruto dos pampas,
Desconfiado e de má fama;
O meu sangue se alevanta,
Quando alguém de mim reclama.
Sou um macho prozeador,
Mas nunca conto lorota;
Nunca tive o mal do amor,
Sou solito nestas grotas.
Já barranquiei muitas éguas,
De quatro e de duas pernas;
Pra ter mulher ando léguas,
Isto e bom e me conserva.
Chinoca de vida fácil,
Já comeram em minhas mãos;
Dizem que sou um volátil,
Pra mim isso é palavrão.
Sou chucro de Camaquã,
Disso nunca me arrependo;
Falam que sou picumã,
Coisa que nunca compreendo.
Não compreendo porque sou,
Simplesmente este gaucho;
Homem que se acoreou,
Com as tradições sem luxo.
*J.L.BORGES
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