terça-feira, 17 de abril de 2018

CARNAVAIS

“CARNAVAIS”

Velho corpo ontem preciso,

Não resiste ao teu sambar;

Não resiste ao teu sorriso,

E se põem a vadiar.

Fico assim embriagado,

Neste denso carnaval;

Perambulo enfeitiçado,

Com vontade de sambar.

Se sonhar é minha sina,

Sou de novo um pierrot;

Tendo o amor da colombina,

Faço que fujo, mas vou.

E ensaio tontos passos,

Sob a luz da avenida;

Tendo ela em meus braços,

Nesta canção distraída.

E na longa passarela,

Segue o longo desfilar;

De cafazestes... donzelas,

E o belo corpo a levitar.

Tantos carnavais de sonhos,

Desfilando como um fio;

Parecem instantes medonhos,

Neste meu olhar sombrio.

*J.L.BORGES

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