“CARNAVAIS”
Velho corpo ontem preciso,
Não resiste ao teu sambar;
Não resiste ao teu sorriso,
E se põem a vadiar.
Fico assim embriagado,
Neste denso carnaval;
Perambulo enfeitiçado,
Com vontade de sambar.
Se sonhar é minha sina,
Sou de novo um pierrot;
Tendo o amor da colombina,
Faço que fujo, mas vou.
E ensaio tontos passos,
Sob a luz da avenida;
Tendo ela em meus braços,
Nesta canção distraída.
E na longa passarela,
Segue o longo desfilar;
De cafazestes... donzelas,
E o belo corpo a levitar.
Tantos carnavais de sonhos,
Desfilando como um fio;
Parecem instantes medonhos,
Neste meu olhar sombrio.
*J.L.BORGES
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