A LIBERDADE É VERMELHA
O sangue dos farrapos ainda corre nesta terra,
Manchando de vermelho o verde amarelo;
De nossas pradarias e pampas infindos,
A onde o charrua não cansa de galopar.
Ainda ouço o brado de tantos Tiarajús,
Dizendo que esta terra tem dono ainda, amigo;
Ainda ouço o tinido das espadas farroupilhas,
Dos Bentos sonhadores e tantos Souzas Netos.
Ainda vejo o olhar firme de muitos Garibaldis,
E o toque e abraços de Caetanas e Anitas;
O sangue dos lanceiros negros entrando nas entranhas,
Deste torrão tão querido que chamamos de Rio Grande.
É assim que me vejo, é assim que me encontro,
No encanto deste canto, meu pampa liberdade;
A onde corre o sangue vermelho dos farrapos,
A onde flui o sonho desta gente farroupilha.
*J.L.BORGES
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