SOLIDÃO
De bar em bar na noite fria,
A fogo as magoas e minhas dores;
Triste a sonhar, vida vazia,
Meus olhos dagua sem meus amores.
A noite alta a lua esguia,
Espia eu triste e cambaleante;
Luz da ribalta inerte e fria,
Não mais resiste estes rompantes.
A nevoa beija o meu ciúme,
E as estrelas nem dão abrigo;
A dor viceja feito perfume,
Quero conte-la mas não consigo.
Assim vou indo, um homem errante,
De bar em bar bebendo vidas;
Triste sentindo o amargo instante,
Sem te encontrar minha querida.
*J.L.BORGES
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