sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

SOMBRAS NO ESCURO

SOMBRA NO ESCURO

Um gemido alucinante,

Um lamento de dor,

Bagana de cigarro nos lábios purulentos,

No fundo do molhar,

A ausência da cor.

Opaco é o futuro,

Negro é o escuro,

Deste resto humano.

Bichos de pé,

Nos pés descalços,

Camisa rasgada,

E calça puída.

Um resto de vida,

Na alma calada,

Com falta de fé,

Com sobras de fome.

Um corpo cansado,

Na lama criança,

Semblante de velho,

Sem paz e esperança;

Um ser moribundo,

Esperando por nada,

E nada ganhando,

Sobrando no mundo.

Um caco de gente,

Chapado de sombras,

Seu riso bisonho,

É um riso carente;

É anti- matéria,

Este ser dependente;

Um vulto medonho,

Esperando seu fim.

 *J.L.BORGES

Nenhum comentário:

Postar um comentário