SOMBRA NO ESCURO
Um gemido alucinante,
Um lamento de dor,
Bagana de cigarro nos lábios purulentos,
No fundo do molhar,
A ausência da cor.
Opaco é o futuro,
Negro é o escuro,
Deste resto humano.
Bichos de pé,
Nos pés descalços,
Camisa rasgada,
E calça puída.
Um resto de vida,
Na alma calada,
Com falta de fé,
Com sobras de fome.
Um corpo cansado,
Na lama criança,
Semblante de velho,
Sem paz e esperança;
Um ser moribundo,
Esperando por nada,
E nada ganhando,
Sobrando no mundo.
Um caco de gente,
Chapado de sombras,
Seu riso bisonho,
É um riso carente;
É anti- matéria,
Este ser dependente;
Um vulto medonho,
Esperando seu fim.
*J.L.BORGES
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