PERFUMES DE OURO
Não sei se reclamo a falta da alguém,
Ou se agradeço a Deus o amor maculado;
Eu só sei que o presente é um sonho,
Eu só sei que é um sonho o passado.
Tudo some com a chuva do tempo,
Até o pó da esperança sumiu;
Minha vida perdeu o ar da graça,
Quando o amor inocente partiu.
Não sei se choro pelo inverno que chegou,
Ou se agradeço a Deus pela primavera vindoura;
O riso macio da criança que passa,
Envolveu tantas praças com perfumes de ouro.
São tempos que chegam e depois dão adeus,
Partem e não olham jamais para traz;
São tão informais os crentes e ateus,
Transformados em poeira do destino em portais.
Então fico sozinho outra vez a teu lado,
Te falando baixinho palavras banais;
Renegando o futuro e pensando em passado,
Que partiram, e distantes não voltam jamais.
*J.L.BORGES
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