UTOPIA
O sol cadente do teu olhar sem nexo,
Me transporta a uma outra dimensão;
Um caminho estranho e complexo,
Uma montanha em ebulição.
A sarça ardente desta tua boca,
Bronzeou meu corpo em leve crepitar;
A musica etérea da tua voz tão louca,
Em gestos lentos me pos a levitar.
E eu me perdi neste labirinto,
Nesta odisséia, futura utopia;
Um sentimento estranho que eu sonho e sinto,
Perdido assim na tua magia.
Tu és bruxa, es fada, enfim,
És a mulher que eu mais preciso;
Se flutuas incandescente em mim,
Eu me derreto em teu paraíso.
Pois sem pudor tu me escravizas,
Me tornando assim teu senhor;
A tua língua que me alisa,
A minha língua que te traz desejo e dor.
Uma dor nefasta, pagã e profana,
Que tu almeja e deseja sentir;
Escravizada nesta minha cama,
De prego, pois eu sou faquir.
*J.L.BORGES
Gravatai.1987
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