sábado, 9 de dezembro de 2017

SABOR DE SOLIDÃO

SABOR DE SOLIDÃO

Já que não posso falar contigo,
Tenho que falar comigo mesmo;
Feito um não sei o que,
Numa tempestade sem abrigo.

Já que não posso te beijar,
Tenho que beijar este vinho;
Pois falta teu afeto e teu carinho,
Que nunca consegui ganhar.

Esta vida se torna engraçada,
Na medida que o tempo passa;
Finzo que não acho graça,
E solto ao vento minha risada.

Que depois tranco e te espero,
Sabendo que nunca vens;
Finzo que não te espero, mas te quero,
Outra vez, mas não vens...

Não tens o tempo de me amar,
E eu sigo sem saber;
Se tua luz irá me iluminar,
Ou irá me derreter?

Já que não posso te ter,
Eu vou falsificar um sorriso;
Que eu tanto preciso,
Pra deixar de sofrer.

 *J.L.BORGES
Cachoeirinha 1986



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