TRANSFORMAÇÕES
Aspiro o ar de uma tarde,
Que sinto, está indo embora;
Meu coração solitário arde,
Mas nada posso fazer nesta hora.
Então fico olhando a lua,
Com seu Jorge e seu dragão;
Imagino você toda nua,
Dentro do meu coração.
Quero voar, mas não consigo,
Minhas asas foram cortadas;
Então aspiro este ar amigo,
E fico a sonhar com a amada.
Mulher que está longe,
Mulher que a tempos beijei;
Mulher que hoje se esconde,
Nos sonhos que não sonhei.
Tomara que meu amanhã chegue bem cedo,
Chegue sem receio nesta tenra terra;
Invada este meu coração sem medo,
Trazendo a doce primavera.
Pois eu necessito do perfume das flores,
Para suavizar minha estrada;
Necessito de colares e cores,
Para transformar em concreto este meu nada.
*J.L.BORGES
Camaquã.1984
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