terça-feira, 21 de novembro de 2017

ROSA VIOLETA


ROSA VIOLETA

Soldados armados, amados ou não,
Caminham pisando a rosa no chão;
E seguem cantando antigas canções,
Que falam de guerras, de prantos e orações.

E a enxada caída não fala e nem faz,
A rosa pisada tornar a florir;
Vem filas de homens em busca de paz,
No fuzil e espada já pronta a ferir.

Soldados calados de armas na mão,
Trazendo na mente a indecisão;
E levam a semente da rosa estampada,
Na face carente de uma cara lavada.

Partem levando seu tédio e sua sina,
E na curva da vida lá vão os soldados;
São jovens serenos, ativos, calados,
Que esquecem as pétalas da rosa na esquina.

Retumba ao longe um antigo canhão,
E a pomba ferida cai ao lado da rosa;
O jovem soldado, menino tão prosa,
Jaz inerte e calado com sua ilusão.

 *J.L.BORGES
Cachoeirinha.1986.

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