ROSA VIOLETA
Soldados armados, amados ou não,
Caminham pisando a rosa no chão;
E seguem cantando antigas canções,
Que falam de guerras, de prantos e orações.
E a enxada caída não fala e nem faz,
A rosa pisada tornar a florir;
Vem filas de homens em busca de paz,
No fuzil e espada já pronta a ferir.
Soldados calados de armas na mão,
Trazendo na mente a indecisão;
E levam a semente da rosa estampada,
Na face carente de uma cara lavada.
Partem levando seu tédio e sua sina,
E na curva da vida lá vão os soldados;
São jovens serenos, ativos, calados,
Que esquecem as pétalas da rosa na esquina.
Retumba ao longe um antigo canhão,
E a pomba ferida cai ao lado da rosa;
O jovem soldado, menino tão prosa,
Jaz inerte e calado com sua ilusão.
*J.L.BORGES
Cachoeirinha.1986.
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