sexta-feira, 17 de novembro de 2017

NOITE

NOITE

Um caco de lua,
Perdida no ar;
Um cheiro de acre,
Um cheiro de mar.

O gosto do vento,
Na terra a riscar;
Uma dor, um lamento,
Uma coruja a piar.

A débil luz,
Fraca, amarela;
A porta fechada,
Trancada a janela.

A dor da partida,
Uma estrala a brilhar;
O radio fanhoso,
Alguém a chorar.

A noite que chega,
Seus cheiros no ar;
Murmúrios da noite,
Alguém a sonhar.

 *J.L.BORGES
     1978



Nenhum comentário:

Postar um comentário