sexta-feira, 17 de novembro de 2017

INOCENCIA


INOCÊNCIA

Teu riso tolo e assustado,
Faz lembrar as risonhas madrugadas;
No frescor majestoso e maculado,
Dos amores escondidos nas calçadas.

Tua voz me lembra sinos,
Badalando no final de uma tarde;
O timbre de tua voz me lembra hinos,
Amor suave que abrasa e arde.

A silhueta do teu corpo uma pintura,
Sugerindo muitas artes atrevidas;
Tuas curvas a insinuar tanta procura,
Uma loucura imaculada e colorida.

Na inocência teu corpo me incendeia,
Como uma estrela esquia a se partir;
A chama do teu olhar uma candeia,
Réstias de luz a me seguir.

No teu riso e teu olhar me descobri,
E descobri toda a minha inexperiência;
No teu corpo matinal eu me perdi,
Mas me achei nesta tua inocência.

*J.L.BORGES
1986


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