sexta-feira, 17 de novembro de 2017

INDECENCIA


INDECÊNCIA

Faço questão de mostrar os dilacerados,
Pedaços de meu corpo e o baton;
Faço questão de mostrar o botão,
Manchados por teus lábios pintados.

Faço questão de despir teu corpo,
Para todo mundo ver;
Faço questão da tua língua sorver,
Indecentemente, pouco a pouco.

Pois tudo em nós é pecado,
As chamas do desejo nos envolvem;
E nossas carnes lentamente se dissolvem,
Num mixto de prazer imaculado.

Vem querida! Com toda experiência,
Que este corpo formoso ofertou;
Venha, e mostre o que ainda não mostrou,
No complexo primor da indecência.

 *J.L.BORGES
1986



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