domingo, 19 de novembro de 2017

EREMITA ESPACIAL


EREMEITA ESPACIAL

Aquele beijo com meu desejo,
Era mesmo o fim;
Foi o começo de um pesadelo,
Que abateu-se em mim.

E nunca mais, sei que nunca mais,
Amor, irei te encontrar;
Não tenho paz, eu sei não terei paz,
Andando longe de teu meigo olhar.

Na dependência deste louco amor,
Só restou lembrança;
Na incoerência desta minha paixão,
Eu me perdi levando a esperança.

E agora ando tão desanimado,
Por um caminho de pedras e espinhos;
Me sinto triste longe de teus beijos,
Me sinto tonto a caminhar sozinho.

Onde estás amor, onde estarás?
Por que não mais voltas aqui?
O meu desejo com aquele beijo,
Eu não esqueci.

E nunca mais sei que amarei,
Pois no mundo não existe outra igual;
E isolado amor eu viverei,
Como um eremita eterno espacial.

 *J.L.BORGES
1986

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