BIBELÔ NUMA REDOMA DE CRISTAL
Hoje eu estou só, mas não triste,
Também não estou feliz, e muito menos alegre;
Só vejo este mundo que corre a minha volta,
A solidão está presente em minha alma morta.
Alguma coisa vem trazendo a solidão,
Solidão ruidosa e com movimentos;
E em pensamento pareço um bibelô,
Confetes e serpentinas vem do coração.
Estou em uma redoma eterna de cristal,
Estou perto de tudo, sem tocar em nada;
Sou o bibelô se uma solteirona rica,
Que quer em sua ansiedade encontrar a estrada.
Estrada de espinhos, sonhos e anseios,
Com milhões de esperanças leves a pairar
Esperança que ela depositou neste objeto imóvel,
Mulher divina, mulher que não sabe chorar.
Ela não sabe sorrir, eu também não sei,
O dia vai embora, e a noite vem;
Noite artificial que sufoca a gente,
Fazendo adormecer os sonhos que eu sonhei.
Minha mente e meu espírito estão ativos (eu lento)
Mas sei que minha esperança ainda não morreu;
Também sei que ainda virá um novo dia,
Trazendo muitos outros para dizer-me adeus.
*J.L.BORGES
Camaquã.1984
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