terça-feira, 21 de novembro de 2017

ANO HUMANO


ANO HUMANO

Anos que chegam e vão embora,
Quem era jovem ficou antigo;
Colhendo anseio que tanto beijo,
Que tanto vejo neste castigo.

E na ansiedade de tantos anos,
Andando lento parei na estrada;
Vi passageiros e vi passagens,
Me vi sonhando na madrugada.

Veio o presente, sai o passado,
Andando em filas por um caminho;
Como crianças preso na historia,
Gasta memória e sorvendo vinho.

Mais uma década frágil e maluca,
Bate a porta e vai embora;
Deixa lamentos, deixa tormentos,
Deixa no livro a sua historia.

Assim segue a vida a sua jornada,
Pintando momentos na nua tela;
É um documento, uma novela,
Que nunca acaba, nunca retorna.

*J.L.BORGES
Gravataí.1986

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