sábado, 23 de setembro de 2017

FINADOS DE NOVEMBRO

FINADOS DE NOVEMBRO

Fica negro o pensamento,
Torna claro o coração;
Fica mudo o esquecimento,
Perdido na solidão.

Falam das coisa perdidas,
Do tempo, vida passada;
Falam de coisas esquecidas,
Que do tudo restou nada.

Ouvimos com esperança,
Suas vozes sem calor;
Fala o velho e a criança,
Fala o justo e o pecador.

Depois querem descansar,
Querem entrar pra tumba fria;
As horas estão a passar,
Já resta pouco do dia.

Vamos chorando baixinho,
Ao longo da grande estrada;
Lembrando com algum carinho,
Aquelas vidas passadas.

É finados de Novembro,
Também é ressurreição;
De todos eles eu lembro,
Peço a Deus a salvação.

  *J.L.BORGES
Camaquã.1977

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