quarta-feira, 4 de abril de 2018

JUSTIÇA

JUSTIÇA

A justiça é cega, disse-me certo dia um parquet,

O pobre favelado roubou um ovo e um pão,

E foi para a prisão, sem mesmo ter fiança;

Um nobre deputado roubou-nos um milhão,

E o povo esqueceu, que povo sem lembrança!

A justiça é cega, a balança é imparcial,

Falou-me um promotor, e confiou-me um juiz,

Uma mãe desesperada roubou uma mera fralda,

E a pobre desalmada acabou numa cadeia,

Foi taxada de ladrona, safada e meretriz.

Eu creio na justiça, mas não creio nos homens,

As leis que eles fazem a eles favorecem;

E esta elite podre faz a lei para si,

Não pensa no oprimido, e eles opressores,

São falsos professores que aos pobres desfavorecem.

Eu quero a justiça, eu clamo a justiça

Pois chega de desigualdade, eu quero a lei social,

A onde não importa dinheiro ou posição;

Eu quero que o ladrão, seja humilde ou doutor,

Meu nobre promotor, eu o quero na prisão.

*J.L.BORGES

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