JUSTIÇA
A justiça é cega, disse-me certo dia um parquet,
O pobre favelado roubou um ovo e um pão,
E foi para a prisão, sem mesmo ter fiança;
Um nobre deputado roubou-nos um milhão,
E o povo esqueceu, que povo sem lembrança!
A justiça é cega, a balança é imparcial,
Falou-me um promotor, e confiou-me um juiz,
Uma mãe desesperada roubou uma mera fralda,
E a pobre desalmada acabou numa cadeia,
Foi taxada de ladrona, safada e meretriz.
Eu creio na justiça, mas não creio nos homens,
As leis que eles fazem a eles favorecem;
E esta elite podre faz a lei para si,
Não pensa no oprimido, e eles opressores,
São falsos professores que aos pobres desfavorecem.
Eu quero a justiça, eu clamo a justiça
Pois chega de desigualdade, eu quero a lei social,
A onde não importa dinheiro ou posição;
Eu quero que o ladrão, seja humilde ou doutor,
Meu nobre promotor, eu o quero na prisão.
*J.L.BORGES
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