SEXTA FEIRA SANTA DA PAIXÃO
Uma luz negra brilhou na noite da inocência,
E a verdade clamou por justiça vã;
A paz levitou hesitante na frágil inocência,
Foi lá que a escuridão se fez manhã.
Uma lagrima num rosto em traços aflitos,
Um grito, um nó na garganta do saber;
Entre dores e horrores o infinito,
Rasga o céu na chuva do morrer.
A luz apagou-se naquela tarde mar,
Naquela procissão de tolos incoerentes;
A rede do poder assim se fez pior,
E naquela tarde tombou o inocente.
A morte necessária vestiu-se de esperança,
No coração sedento daquele que tem fé;
Um naco de paixão , um pouco de lembrança,
Criança é aquele, que ama e a Deus crê.
Na morte de um inocente se fez a salvação,
Num mundo conturbado de sede de poder
Irmão mata irmão, porem o coração,
Daquele que morreu, ao mundo fez viver.
*J.L.BORGES
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