quarta-feira, 4 de abril de 2018

CALMARIA

CALMARIA

Nevoas cristalinas rasgam o infinito,

Trazendo a certeza de dias sem lamentos;

As flores distraídas ensaiam lindos passos,

Na alma melodiosa que flui de tontos ventos.

Nuvens inocentes passeiam a luz dos astros,

Na estrada azul distante de um céu hoje inocente;

Lá, onde pássaros milenares em frenética revoada,

No dorso dos cometas, cavalgam mansamente.

No canto esquecido da virgem primavera,

Montes floridos suspiram de saudade;

Sentindo talvez a falta dos instantes,

Aqueles bons momentos da boa tempestade.

Assim o dia passa, acariciando estes momentos,

Que estão cristalizados na mente do andante;

Em Édipo cambaleante, alem das pradarias,

Suspira por Jocastas, e segue cambaleante.

*J.L.BORGES

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