CHUVA DE SETEMBRO
A chuva chora, e molha a terra,
Sem piedade, chuva traiçoeira;
O sol escorre, atrás da serra,
A tarde morre, foge ligeira.
Teimosa chuva, sempre a cair,
Alaga a alma, alma indecisa;
E ela, a chuva, teima em ferir,
É chuva insana, sem sol, sem brisa.
E vem com ela o doido vento,
Nuvens mosqueadas a desenhar;
Monstros, castelos, neste momento,
Onde o silencio é o trovejar.
Não passa a chuva, sempre a gemer,
Não dá sossego a este dia;
Sem quase nada para fazer,
Vou cavalgar na ventania.
*J.L.BORGES
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