CALMARIA
Nevoas cristalinas rasgam o infinito,
Trazendo a certeza de dias sem lamentos;
As flores distraídas ensaiam lindos passos,
Na alma melodiosa que flui de tontos ventos.
Nuvens inocentes passeiam a luz dos astros,
Na estrada azul distante de um céu hoje inocente;
Lá, onde pássaros milenares em frenética revoada,
No dorso dos cometas, cavalgam mansamente.
No canto esquecido da virgem primavera,
Montes floridos suspiram de saudade;
Sentindo talvez a falta dos instantes,
Aqueles bons momentos da boa tempestade.
Assim o dia passa, acariciando estes momentos,
Que estão cristalizados na mente do andante;
Em Édipo cambaleante, alem das pradarias,
Suspira por Jocastas, e segue cambaleante.
*J.L.BORGES
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