sábado, 4 de novembro de 2017

CAVALO DE PAU

CAVALO DE PAU

Eu nunca tive um cavalo,
Pra lembrar-me da infância;
Eu nunca tive uma estância,
Pra ter um dia um cavalo.

Mas meu cavalo de pau,
Este lembro com saudade;
Cavalo doido, fugaz e mau,
Bom cavalo de verdade.

A galopar pelos campos,
De um belo faz de conta;
Me abria em doce encanto,
Fantasia de alma tonta.

Hoje não tenho cavalo de pau,
Nem cavalo de verdade
Não tenho cavalo mau,
Nem bom, mas tenho saudade.

Saudade da bela infância,
Saudade do meu cavalo
Eu nunca tive uma estância,
Eu nunca tive um cavalo.

*J.L.BORGES
Camaquã.1984

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