CAMINHADA
Hoje eu trago o coração despido,
Vulnerável e triste,
Preso a tradições e traições,
Que a própria vida me deu.
Encontrei gaivotas idiotas,
Feito moscas tontas,
Travestidas com o orgulho do tigre,
De bengala, caduco e gasto.
Encontrei o falcão moribundo,
Esquecido na vastidão de um campo qualquer,
Que a natureza sem piedade forjou;
Guardei a imagem da rainha Elizabete,
Num canto de meu quarto burguês;
Pegarei meu velho paletó,
E sairei a vagar por ai,
De bar em bar.
*J.L.BORGES
Camaquã.1984
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