sexta-feira, 2 de março de 2018

APATIA

APATIA

Esta apatia que bate minha porta,

Chega sem convites e deita em minha cama;

Surra a esperança que era companheira,

Daqueles sonhos íntimos que eu tanto venerava.

Agora estou apático sem esperar por nada,

É triste minha estrada, é ruim este lugar;

O lar bom de outrora hoje é só escombro,

Um peso nos meus ombros e sombras do passado.

O meu jardim de sonhos perdeu-se na memória,

Agora a realidade são estes dias tristes;

Que chegam e resistem, não querem ir embora,

Sair da minha mente, deixar o meu presente.

Queria ter coragem e deixar este lugar,

Deixar a solidão trancada em meu quarto;

Jogar a chave fora, depois correr nos campos,

De verdes pradarias pertinho de minha alma.

Talvez fosse feliz depois que me encontrasse,

Depois que me sufocasse das magoas do passado;

Algum pássaro perdido talvez eu cativasse,

Deixasse ele morar num canto de meu peito.

*J.L.BORGES

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