XEXÉU
Uma barata imitação,
Envolve esta vida cotidiana;
Prosas prosaicas e insanas,
Falta de educação.
No brilho das pedras falsas,
O tolo vê o esplendor;
Ledos enganos, raras valsas,
Canções sem letras de amor.
No imitar das pandorgas,
Até parece um menino;
Imitando os passarinhos,
Nos vãos do doido destino.
Plagiando uma canção fúnebre,
Só para agradar a vida;
Que chega depressa aqui,
Mas que foge distraída.
No canto falso do sonho,
Tenta apalpar a alegria;
Naquele seu jeito estranho,
Vagando na ventania.
*J.L.BORGES
P.S: Xexéu-Pássaro imitador.(Tupi-Guarani)
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